Professor da Fatec Americana compartilha experiência em PCIs

Ricardo Bertoni Pompeu é mestre em Economia Aplicada pela Esalq/USP. Na mesma instituição, graduou-se engenheiro agrônomo. Especialista em Gestão de Pessoas pelo INPG e em Marketing pela Unicamp, leciona na Fatec Americana desde 2010 e há quatro anos atua com PCIs/COIL (Collaborative Online International Learning). No depoimento a seguir, Pompeu apresenta seu relato de experiência, concedido por e-mail à jornalista Patrícia Patrício, responsável pela comunicação dos PCIs/Cesu.

Conte um pouco sobre os PCIs realizados com a Holanda e com os Estados Unidos, a partir de 2017.

Em 2017, participei de um megaprojeto com Eva Haug e Ariane Hoekstra, da Amsterdam University of Applied Sciences (AUAS/Holanda) e Osvaldo Succi Junior (CPS), Cristine Moraes (Fatec Piracicaba), Ana Teresa Colenci Trevelin (Fatec São Carlos), Carlos Amaral Moreira e Ricardo Pompeu (Fatec Americana). Tivemos um total de 70 alunos, que durante 7 semanas estudaram estratégias de comunicação de marcas de suco de frutas, cerveja, refrigerante, chocolate, bolacha e sorvete nos dois países.

Em 2018, nosso projeto envolveu a St. Ambrose University (EUA), representada pelo professor Arun Pillutla. No Brasil, participaram comigo os professores Carlos Moreira e Osvaldo Succi Junior. O PCI abordou a competência de dar e receber feedback, com a Metodologia Ativa de Aprendizado Baseado em Problemas. Os alunos receberam um texto com uma situação problema e outros textos teóricos sobre feedback, incluindo o aspecto cultural dessa competência.

Em 2019 tivemos um novo PCI com a Holanda, com Eva Haug e Brechtine Detmar (AUAS) e Osvaldo Succi Junior (CPS), Carlos Moreira e eu (Fatec Americana). Optamos por um modelo diferente, convidando estudantes de vários semestres de Gestão Empresarial. Nesse projeto, os 57 alunos brasileiros e holandeses abordaram a mesma situação problema sobre feedback (do PCI de 2018). Durou 6 semanas, com grande enfoque na parte cultural da comunicação, da liderança e da gestão de equipes.

Quais são as suas expectativas para o desenvolvimento do projeto sobre “job satisfaction” com a universidade indiana Symbiosis, envolvendo as Fatecs Americana e Sumaré?

Agora, estou desenvolvendo um projeto com o Symbiosis Centre for Management Studies (India). As expectativas são as melhores possíveis, pois percebo uma química muito grande entre os professores envolvidos: Nehajoan Panackal e Rafaeli Begalli (Symbiosis), Danilo Sorroce (Fatec Sumaré) e eu.

Relate um pouco de sua experiência em design de projeto: como trabalhar ideias com o parceiro internacional, atendendo aos objetivos específicos das disciplinas das duas IES?

Não importa se um projeto durar 4 ou 7 semanas, é importante uma preparação estratégica prévia, para entender as expectativas, interesses e ansiedades dos professores. Ao mesmo tempo, compreender os alunos: quantos são, conhecimento do idioma, idade, o que já estudaram, semestre de curso. Outro fator importante é a afinidade entre as disciplinas dos professores envolvidos.

No meu caso, leciono Gestão de Pessoas e Comportamento Organizacional, disciplinas que possuem aderência com várias áreas da administração. A principal dica é não se ater somente à ementa da disciplina, mas ter uma visão ampla sobre as competências que os alunos poderão desenvolver: cultura, comunicação, gestão de conflitos e trabalho em equipe. Portanto, a escolha de parceiros é ponto chave. Daí a relevância do trabalho da equipe do Prof. Osvaldo Succi Junior, ao encontrar parcerias personalizadas para cada professor ou professora que se interessar em participar de um PCI.

Organização é uma competência essencial para o desenvolvimento e execução de PCIs. Compartilhe algumas orientações práticas sobre esse tema, para professores que desejam iniciar um PCI.

Acredito que a primeira etapa é encontrar um assunto em comum e jamais esquecer da parte cultural: esta é uma variável presente em todo o projeto. A próxima etapa é a elaboração de um cronograma de atividades detalhado para cada semana de duração do projeto.

É necessário definir quais são as tarefas que os alunos irão realizar, as interações virtuais, as diferentes maneiras de comunicação, os textos de apoio e o desafio que os alunos irão enfrentar bem como serão avaliados. Os professores envolvidos sempre deverão manter uma proximidade com o trabalho dos alunos durante as suas aulas. No entanto, acima de tudo, o projeto tem que ser divertido: a ideia não é trazer um estresse a mais para os alunos, mas mostrar que é possível se comunicar em um idioma mesmo não dominando-o completamente, além de estimular a percepção e a reflexão dos estudantes quanto a grandeza da diversidade cultural existente entre países e seus impactos em nossa maneira de compreender “outros olhares”, distintos dos nossos.

Como manter o engajamento dos estudantes ao longo de todas as fases do projeto? Que dicas você oferece para melhorar a interação entre alunos brasileiros e estrangeiros?

Duas palavras-chave são fundamentais: autonomia e suporte. Autonomia para que os alunos decidam sobre a melhor forma de se comunicar, de desenvolver as atividades, de gerir eventuais conflitos e de liderar a equipe. Os alunos brasileiros são mais proativos do que imaginamos! Com relação ao suporte, entendo que o professor deva monitorar as dificuldades que os alunos possam estar passando e orientá-los sobre possíveis soluções. Este apoio se dá através de conversas com cada grupo e conjuntamente com a classe.

O que são os PCIs: Os Projetos Colaborativos Internacionais (PCIs) da Cesu (Unidade do Ensino Superior de Graduação do Centro Paula Souza) são também chamados de Intercâmbios Virtuais (Virtual Exchange), COIL (Collaborative Online International Learning), EDGE (Experiential Digital Global Experience), GLE (Global Learning Experience) ou módulos híbridos. Nas Fatecs do Centro Paula Souza, utiliza-se a nomenclatura PCI. Tendo como base a educação global para a cidadania e a Internacionalização em Casa, os PCIs possibilitam que alunos das Fatecs e seus parceiros internacionais elaborem atividades alinhadas com determinadas disciplinas, enquanto desenvolvem suas habilidades digitais, linguísticas, interculturais e de trabalho em equipe.